No Dia dos Pais, exemplos de super heróis e outros adjetivos permeiam as homenagens no âmbito familiar, publicidade, redes sociais e imprensa.
Há histórias de vida que inspiram de outra forma. Como jornalista sou extremamente tocado pelo colega Francisco Sogari. A vida de pai e professor é radicalmente transformada em 2001, ano dos atentados. A filha Gabriele, de seis anos, é arrancada do seu convívio por um motorista irresponsável.
Ao lado da esposa, Psicopedagoga Iracema Barreto Sogari e o filho, Advogado João Filipe Barreto Sogari, na época com dois anos, ele transforma a dor em força e superação.
Criam um projeto social com um propósito: a garantia dos direitos da PCD e TEA como uma questão de justiça. Nasce o Instituto Gabi.
Porque este público, se a filha Gabi é uma criança sem deficiência, e porque o propósito?
Constatam a contradição de uma Cidade rica (SP) e um país com ampla legislação, mas desiguais e longe de praticá-la. Aí decidem colocar seus conhecimentos a serviço das pessoas duplamente excluídas: pela deficiência/TEA e pela situação socioeconômica. Não conseguem pagar o tratamento e o serviço público não absorve.
Ao longo dos 25 anos, o Instituto Gabi proporciona qualidade de vida para centenas destas pessoas e suas famílias. O mais importante: é um serviço gratuito.
Porque o Instituto Gabi é referência?
Hoje são 52 crianças, adolescentes e jovens atendidos. De manhã, de quatro a 12 anos, participam de terapias de comunicação e expressão(fono), estimulação essencial(psicologia), apoio psicopedagógico, musicalização(musicoterapia), psicomotricidade (educação física). Nesta faixa etária é o momento de aprenderem com mais facilidade.
De tarde, adolescentes e jovens de 12 anos em diante com oficinas de taekwondo, ritmos e percussão, designer de recicláveis, atividades de vida diária e prática, jogos cooperativos e educação física. É um espaço de interação e de fortalecimento das conquistas.
A metodologia de trabalho do Instituto Gabi busca a valorização das potencialidades e preferências. Eles são capazes, faltam estímulos e investimentos.
Ao longo das duas décadas e meia, o Instituto Gabi torna-se base de estudo nas instituições de ensino, fonte para veículos de imprensa e referência na construção de políticas públicas.
Uma equipe qualificada desenvolve um trabalho interdisciplinar, com um programa que inclui Plano Individual de Atendimento (PIA), avaliações e reavaliações periódicas, devolutivas aos responsáveis a qualquer momento. Investe na formação continua dos profissionais.
Os ambientes adaptados, de modo especial a sala multissensorial, são diferenciais no processo terapêutico.
O trabalho envolve também os responsáveis através do programa de apoio socio-familiar, com espaços para troca de vivências, fortalecimento da autoestima, oficinas de artesanato e empreendedorismo.
Como se mantém e como ajudar?
O Instituto Gabi sobrevive de doações, pontualmente recebe recursos públicos que precisam de complementação.
Um profissional coordena a captação de recursos com projetos que se adequam à estratégia das empresas, escolas, condomínios, clubes ou pessoas físicas.
O Programa Sócio patrocinador é a plataforma de doação segura e de fácil adesão para contribuição recorrente ou pontual. INSTITUTO GABI | AJUDE A CUIDAR PCD.
A Nota Fiscal Paulista também é fonte de receita, através de cupons físicos ou doação automática. Com o cadastro, o crédito das compras é revertido.
O voluntariado auxilia para o funcionamento da operação. As modalidades podem ser presenciais ou a distância, pessoa física ou jurídica.
O exemplo de Francisco e sua equipe estimula outros profissionais a viverem a paternidade e colocarem seus conhecimentos a serviço próximo.
*Itamar Barreto, Jornalista, pai da Sophia
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