Primeira edição do evento da CSCM destaca inovação, eficiência operacional e integração da cadeia, com previsão de se tornar anual
A primeira edição do Workshop Mineração
Inteligente - Eficiência, Oportunidades e Sustentabilidade, organizado pela
Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração
(CSCM), da ABIMAQ, superou as expectativas e reuniu mais de 150 participantes
em Parauapebas (PA), um dos principais polos minerais do país.
Realizado no dia 15 de abril, o encontro marcou o início de
uma iniciativa que pretende se consolidar como evento anual estratégico para o
setor, fortalecendo a conexão entre mineradoras, fabricantes de equipamentos,
fornecedores de tecnologia e especialistas.
Com quatro painéis técnicos e uma palestra magna, o workshop
abordou temas centrais como eficiência operacional, sustentabilidade, segurança
e inovação.
Na abertura, o presidente da CSCM, Rodrigo Franceschini,
comentou o papel da integração entre os diferentes elos da cadeia para o
desenvolvimento sustentável do setor.
“O mundo está olhando
o Brasil pela importância dos minerais estratégicos e terras raras. Precisamos
aproveitar esse momento com integração entre mineradoras, fornecedores,
universidades e institutos de pesquisa”, afirmou.
Segundo ele, a decisão de realizar o evento em Parauapebas
foi estratégica para aproximar tecnologia e operação. “Trouxemos o workshop
para uma região importante da mineração brasileira, aproximando as soluções
tecnológicas das operações e fortalecendo conexões locais.”
Tecnologia, sustentabilidade e mineração
inteligente
O primeiro painel reuniu soluções voltadas à eficiência
energética, automação e novos modelos operacionais.
Waldemar Nicolau Júnior, Especialista em segmento da SMC, destacou o
potencial de redução no consumo energético com a otimização do ar comprimido.
“Conseguimos em média 6% a 7% de economia de energia. Isso impacta
diretamente a sustentabilidade da operação”, explicou.
Na mesma linha de eficiência com impacto ambiental, Danilo
Serafini dos Santos, Sales Manager na Semco Tecnologia, apresentou soluções
para eliminação de barragens de rejeitos. “Conseguimos uma mistura com 99% de
homogeneidade em menos de um minuto, permitindo transformar rejeitos em pilhas
secas e recuperar até 90% da água”, afirmou.
Fechando o painel, Thiago Gantuss, da Vale Metais
Básicos, trouxe uma visão estratégica da operação Salobo, uma das principais
minas de cobre do Brasil, localizada em Carajás, e que possui avanços
expressivos em segurança, produtividade e rentabilidade.
A planta possui capacidade de processamento de 36 milhões de
toneladas por ano e deve produzir, em 2026, cerca de 220 mil toneladas de
cobre, além de ouro e prata como subprodutos.
Ao final, Carlos Trubbianelli, diretor da CSCM, conduziu um debate com o
público, promovendo a interação entre os palestrantes e os participantes, com
perguntas focadas em desafios operacionais, aplicação prática das tecnologias
apresentadas e oportunidades de parceria entre mineradoras e fornecedores.
Confiabilidade, manutenção e segurança
operacional
A segunda etapa do evento aprofundou o debate sobre
confiabilidade dos ativos e manutenção preditiva. Thiago Henrique Buoso,
engenheiro da Haver & Boecker, apresentou o sistema Pulse CM, voltado ao
monitoramento online de peneiras vibratórias. A tecnologia permite identificar
falhas antes que elas aconteçam e ajuda a transformar os dados em ações
preditivas.
Já Milla de Paula Kleinsorge, da Tecnokor, comentou
sobre os avanços e os ganhos na padronização de tambores para transportadores.
“A padronização permitiu reduzir custo, prazo e estoque, além de aumentar a
confiabilidade dos componentes”. Ela reforçou que o dimensionamento adequado é
crítico. “Uma falha em tambor gera parada cara e de difícil substituição. Por
isso, análise de fadiga e projeto correto são essenciais.”
Complementando o painel, Davi Arroyo, da Sandvik,
mostrou as válvulas guilhotina para isolamento seguro de fluxos de minério, que
geram ganhos em produtividade e segurança. “Reduzimos de horas para minutos o
tempo de isolamento de equipamentos, com impacto direto na produtividade e na
segurança. A solução elimina riscos ao operador e aumenta a confiabilidade dos
processos.
A finalização do painel ficou a cargo de Carlos Trubbianelli, que
conduziu o debate com participação ativa do público.
Eficiência operacional como vantagem
competitiva
O terceiro painel trouxe uma visão mais ampla sobre custos,
eficiência energética e desempenho operacional.
Edson Machado, da Gilbarco Veeder-Root, chamou atenção para o consumo de
diesel na mineração e falou da importância das soluções de gestão de
combustíveis e eficiência energética, visto que o setor gasta cerca de R$ 5
bilhões por ano com diesel. Para ele, controlar esse consumo com precisão é uma
necessidade estratégica, pois os sistemas automatizados podem reduzir o consumo
por tonelada produzida.
Na sequência, Helcio Penser, Gerente de Vendas LATAM
para Mineração da Valmet, ressaltou o papel das válvulas industriais na
confiabilidade dos processos e o impacto direto na redução de paradas e custos.
“Uma válvula bem aplicada pode operar milhares de ciclos em condições
extremas. O segredo não é só comprar, é escolher corretamente para o processo.”
Fernando Santiago, Technical
Commercial Manager da Steinert, apresentou as tecnologias de
separação magnética e proteção de equipamentos e fez um ponto técnico
relevante: “O que garante eficiência não é o gauss, mas o gradiente magnético,
responsável pela remoção dos contaminantes.”
Encerrando o painel, Marcus
Peter Hess, da
Voith, mostrou os ganhos expressivos com o sistema TCLG para transportadores de
correia de longa distância. “Conseguimos reduzir a tensão da correia para cerca
de um quarto do valor convencional, com impacto direto em CAPEX e OPEX”,
explicou, reforçando ainda o potencial da tecnologia para ampliar capacidade e
reduzir custos em projetos novos e retrofits.
Encerrando, a moderação conduzida por Maiari Ruckert imprimiu
dinamismo às discussões e estimulou a participação do público.
Inovação aplicada e otimização de
processos
O quarto painel trouxe cases práticos de britagem e
filtração, com foco em ganhos diretos de produção e eficiência.
Paulo Da Pieve, Sócio Diretor da Hazemag, apresentou soluções que permitem
simplificar etapas e ampliar capacidade. “Conseguimos duplicar a capacidade da
planta reduzindo etapas, aumentando eficiência energética e melhorando a
qualidade do produto final.”
Já Fernando Silva, Gestor de Aplicação Mineração da
PROGT Industrial, destacou os benefícios do uso de esteiras de PVC em filtros
de correia como alternativa mais eficiente à borracha. “Aumentamos a área de
filtração em até 47% sem alterar a estrutura, com menor consumo de energia e
mais produtividade.
Encerrando o painel, Maiari Ruckert foi responsável por
conduzir os debates e promover a interação entre palestrantes e participantes.
Palestra magna: o futuro da mineração
Para finalizar o evento, a palestra magna conduzida por Fábio
Eugênio Souza, Diretor de Soluções Digitais - Tecnologia e Inovação da
Vale, trouxe uma visão estratégica sobre o papel da tecnologia, inovação e
integração no setor.
“Não existe mineração sem máquinas e equipamentos. Nossas
cadeias de valor estão totalmente conectadas”, afirmou.
Ele destacou ainda o papel da empresa na transição energética
e o avanço em conectividade, automação e inteligência artificial.
“Conectividade é a base de tudo. Sem ela, não temos autonomia, não temos IA,
não temos mineração digital”, pontuou Fábio, reforçando o convite à colaboração
com os fornecedores.
“Estamos abertos a cocriar soluções. Precisamos transformar
desafios em inovação conjunta”, resumiu.
Integração
da cadeia e desafios para avançar
Ao
final do evento, o presidente da CSCM, Rodrigo Franceschini, conduziu um
bate-papo com Fábio Eugênio Souza e Thiago Gantuss, aprofundando
os caminhos para fortalecer a integração entre mineradoras e fornecedores.
Durante
a conversa, os executivos destacaram que o avanço da cadeia depende de um
conjunto de fatores, com destaque para comunicação, proximidade regional e
maior articulação entre as partes. A realização do workshop em Parauapebas foi
apontada como um passo importante para aproximar as soluções tecnológicas da
realidade operacional das mineradoras.
Outro
ponto levantado foi a necessidade de ampliar o acesso e a conexão com áreas
estratégicas das mineradoras, como suprimentos e operações, além de incentivar
uma presença mais ativa de fornecedores nas regiões onde estão os principais
projetos minerais, além da criação de fóruns contínuos de diálogo para
desenvolver soluções alinhadas às demandas do setor.
Evento se consolida como agenda estratégica
Além das apresentações técnicas, o workshop contou com espaço
para exposição, networking e troca de experiências, reforçando o alto nível de
engajamento dos participantes.
Com o sucesso da primeira edição, a ABIMAQ e a CSCM já
confirmaram a intenção de tornar o evento anual, fortalecendo sua presença no
Norte e em outras regiões do Brasil e ampliando a integração entre os
diferentes agentes da cadeia mineral.
“O evento cumpriu seu propósito de aproximar mineradoras e
fornecedores, apresentando soluções reais que geram eficiência, segurança e
sustentabilidade”, conclui Franceschini.

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