Com agendas já no fim de janeiro, o período ganha força como estratégia para atrair público, testar formatos e fortalecer marcas antes do Carnaval oficial.
Mesmo com o Carnaval de 2026 oficialmente marcado para os dias 13 a 17 de fevereiro, a festa começa bem antes em muitas cidades brasileiras. Em capitais como Belo Horizonte, blocos e eventos entram no calendário já a partir de 31 de janeiro, criando um cenário que amplia a temporada carnavalesca e reposiciona o pré-carnaval como um momento estratégico para bares e restaurantes em todo o país.
Para quem vai às ruas, o pré-carnaval funciona como uma prévia da festa principal, permitindo aproveitar o clima carnavalesco com mais tranquilidade, intercalar a folia com pausas ou escolher experiências menos intensas do que os grandes blocos. Para os estabelecimentos, esse intervalo se consolida como uma fase importante para aumentar o faturamento, atrair novos públicos e experimentar ações que reforcem a identidade da marca.
De acordo com Leandro Menezes, presidente da Abrasel na Bahia, o período deixou de ser apenas um aquecimento. “Hoje, muitos estabelecimentos investem em experiências mais impactantes, criando uma imersão no Carnaval para quem quer antecipar a festa ou oferecer mais conforto para quem não pretende enfrentar a maratona completa da folia”, explica.
Experiência fora da rua ganha espaço no pré-carnaval
A antecipação do Carnaval tem estimulado bares e restaurantes a criarem programações próprias durante o pré-carnaval. Festas temáticas, shows e eventos especiais ajudam a construir um ambiente festivo mais controlado e intimista, atraindo quem prefere alternativas aos blocos de rua.
Em Belo Horizonte, o Mito Bar apostou no ano passado em um pré-carnaval direcionado a um público específico e percebeu o período como uma extensão natural da agenda da casa. Segundo o proprietário, Felipe Aguiar, a ideia foi manter a programação habitual, mas com um convite claro para quem ainda queria curtir ou não conseguiu aproveitar plenamente a festa. “É uma forma de acolher quem quer continuar no clima ou quem não vai conseguir viver o Carnaval do jeito tradicional”, resume.
Ele destaca que o pré-carnaval atrai um público diverso, incluindo turistas e pessoas que ainda não conheciam o espaço. “Muita gente passa o dia em blocos em outras regiões e acaba vindo para cá depois. Conhece a casa, gosta da experiência e volta em outros momentos do ano”, afirma.
Na avaliação de Leandro Menezes, ações focadas em experiência têm sido determinantes para o sucesso no período. “Os estabelecimentos que apostam em eventos que resgatem memórias afetivas, ofereçam mais conforto ou criem uma atmosfera carnavalesca mais próxima têm conseguido se destacar e ampliar o faturamento”, analisa.
Cardápios e bebidas se adaptam ao ritmo da folia
Com o pré-carnaval se estendendo por várias semanas, bares e restaurantes ajustam suas operações para acompanhar a dinâmica intensa do período. Cardápios mais objetivos e pratos que facilitam o serviço costumam ganhar espaço, ajudando a manter a agilidade mesmo com maior fluxo de clientes. “Em geral, os cardápios ficam mais enxutos, com opções pensadas para dar rapidez ao atendimento, já que o foco do público está nas festas”, explica Leandro Menezes.
Na Bahia, as tradições regionais seguem influenciando as escolhas dos foliões. “Há quem prefira opções mais leves, mas a culinária baiana tem forte presença de pratos mais robustos, como a feijoada, que ajudam o público a se sentir preparado para encarar a maratona do pré-carnaval”, observa.
No Mito Bar, a decisão foi manter o cardápio tradicional durante todo o período. “Não fazemos mudanças específicas para o Carnaval. Trabalhamos com os mesmos produtos”, conta Felipe Aguiar. As alterações ficam concentradas na ambientação. “A decoração muda um pouco, os funcionários usam adereços carnavalescos, só para criar o clima, sem exageros.”
As bebidas ganham protagonismo, especialmente por se tratar de uma época de calor intenso. “A cerveja segue como a preferida dos foliões, mas drinques e opções refrescantes também ajudam a diversificar o consumo”, destaca Leandro Menezes.
Pré-carnaval vira vitrine para novos públicos
Com a folia começando cada vez mais cedo, o pré-carnaval se consolida como uma vitrine relevante para bares e restaurantes. O aumento no fluxo de turistas e foliões amplia as chances de fidelização e fortalece a presença da marca ao longo do ano.
Felipe Aguiar observa que o comportamento do público muda nesse período. “As pessoas chegam mais cansadas por causa do calor e do sol, mas querem continuar a festa em um ambiente mais confortável. Para nós, é uma grande oportunidade de conquistar novos clientes”, afirma.
Para Leandro Menezes, a busca por experiências completas é uma tendência clara. “O brasileiro tem uma relação muito forte com a festa, e isso se intensifica no Carnaval. Hoje, muita gente procura algo que vá além de comer e beber bem. É sobre vivenciar o momento”, resume.
Com planejamento, criatividade e atenção ao perfil do público, o pré-carnaval se firma como um período cada vez mais relevante para o setor de bares e restaurantes, acompanhando a antecipação da folia e abrindo novas oportunidades de negócio antes mesmo do início oficial do Carnaval.


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