Após quase 16 anos fechado, Museu Mariano Procópio é totalmente reaberto ao público em Juiz de Fora

No dia 31 de maio, aniversário de 173 anos de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, a população da cidade e de todo o Brasil receberá um grande presente: a reabertura completa do Museu Mariano Procópio, que possui o segundo maior acervo do Brasil do Império, com aproximadamente 53 mil itens. O espaço estava fechado para reformas desde 2007 e vem funcionando parcialmente, com algumas galerias, desde o ano passado. É o segundo maior acervo do Brasil com peças do período imperial
 
Foto: Carlos Mendonça

A prefeita Margarida Salomão decidiu investir na reabertura do espaço, alocando recursos para a reforma da ordem de R$ 800 mil.  O acervo, que não é exposto ao público há mais de 15 anos, contém mobiliários e objetos da família imperial, obras de arte brasileiras e estrangeiras, um enorme acervo de história natural, documentos e fotografias.
 
Símbolo da memória nacional, o Museu Mariano Procópio é considerado o primeiro museu de Minas Gerais, tendo completado seu centenário em 2021. O local foi aberto em 1915 como museu particular do colecionador Alfredo Ferreira Lage (1865-1944), mas só foi oficialmente inaugurado, com visitação pública, em 23 de junho de 1921.
 
Reabertura da Villa Ferreira Lage
Último lugar a ser reaberto, neste mês, a Villa Ferreira Lage, ou Castelinho, como é popularmente conhecida, foi construída no ano de 1861 para receber o Imperador D. Pedro II e sua família em sua primeira visita à cidade de Juiz de Fora. Depois de quase 16 anos fechado, os visitantes poderão apreciar os ambientes da casa, que serão remontados com móveis e objetos originais da época em que a Villa foi construída, além de outros adquiridos ao longo dos anos por Alfredo Lage e sua família, entre eles, a sala de música. Lá, encontra-se um piano de cauda do século XIX, da marca Erard, instrumento musical da época em que a princesa Isabel frequentava o local.  
 
Além disso, poderão ser apreciados ambientes como o quarto de Alfredo Ferreira Lage, filho de Mariano Procópio e herdeiro da residência; a sala de jantar, local onde a família imperial fazia suas refeições em suas vindas à cidade, enquanto se hospedava na residência; a sala de leitura; a sala de chá, ambiente muito frequentado pelas mulheres da casa; e o escritório de Mariano Procópio, onde eram tratados todos os negócios do amigo próximo do Imperador.  
 
A história do Museu
O ano era 1861 e Dom Pedro II, sua família e uma comitiva que incluía jornalistas e fotógrafos partiam de Petrópolis em direção à cidade mineira de Juiz de Fora. A ida da família imperial se dava pela inauguração da primeira estrada macadamizada da América Latina, a União e Indústria, idealizada e construída pelo engenheiro Mariano Procópio Ferreira Lage. Lá seriam recebidos pela família Ferreira Lage em uma residência construída justamente para aquela ocasião. Agora, mais de 160 anos depois, o local vai poder ser visitado, depois de passar 16 anos fechado.
 
A viagem, que mais tarde seria relatada em um livro, ficou conhecida como "Doze horas em diligência: um guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora", por Revert Henry Klumb, um dos fotógrafos oficiais da Família Imperial. Ao chegarem à cidade, Klumb cita que viram logo um "lindo Castelinho na propriedade do Sr. Lage". A edificação descrita pelo fotógrafo era a Villa Ferreira Lage, uma edificação palaciana construída com finalidade de hospedar o Imperador e a família.
 
A Villa se situava no alto de uma colina na chácara de Mariano Procópio onde a família passava os veraneios. Ao todo, a casa contava com 14 cômodos, distribuídos em 2 pavimentos, um torreão e um subsolo. A edificação de inspiração renascentista italiana foi projetada pelo arquiteto alemão Carl August Gambs. O parque, projetado na mesma época, é de autoria do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou.
 
Em 1914, após a morte da mãe, já viúva, Maria Amália, Alfredo Ferreira Lage, filho mais novo de Mariano Procópio, herda a residência e a transforma, no ano seguinte, em seu museu particular. Mais tarde, 1921, Alfredo constrói um prédio anexo, que viria a ser a primeira galeria de arte do estado de Minas Gerais e inaugura o "Museu Mariano Procópio" em homenagem ao pai, abrindo o espaço para a visitação pública.
 
A visitação é gratuita para todos e todas e pode ser feita de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 16h e aos sábados e domingos das 10h30 às 16h.

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